Com salários atrasados, servidores da saúde entregarão plantões extras e vão pedir dinheiro nas ruas

Publicado em 29 de dezembro de 2017 às 14:47



Sem dinheiro para fechar as contas do mês de dezembro por conta do atraso no pagamento dos plantões extras relativos ao mês de novembro, os servidores da saúde pública vão suspender este serviço, na ressaca da virada, por terem perdido a confiança no governo do Estado em pagar pelo trabalho. A decisão coletiva foi tomada em Assembleia Geral (AG) realizada na manhã desta sexta-feira (29).

Com a entrega dos plantões extras no dia primeiro, os serviços mais prejudicados vão ser: Samu, as maternidades públicas de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, Hospital de Urgência e Emergências de Rio Branco (Huerb) e as UPAS. 

A ação de parar os plantões extras vai durar todo o dia primeiro, e retomada dia cinco de janeiro, quando o movimento será reavaliado em uma atividade defronte ao Huerb e novas medidas vão ser tomadas.

Trabalho sem contrapartida

Os plantões extras representam cerca de 50% da mão de obra nestas unidades de saúde e é um trabalho extra prestado pelos servidores. Estes plantões representam uma parcela importante nos rendimentos.

Sem dinheiro para pagar as contas e sequer para ir trabalhar, os servidores também vão para as ruas pedir auxílio financeiro e doação de sacolões para poderem subsistir enquanto não são pagos os salários atrasados. A ação vai servir ainda para mostrar à comunidade a real situação da categoria. Contamos com uma adesão em massa dos trabalhadores.

Decisão tomada

“Nós precisávamos reunir e ouvir os trabalhadores. Assim, a posição agora é de entregar os plantões extras já no dia primeiro do ano, pois o governo não deu a devida atenção aos profissionais de saúde e sequer se deu ao trabalho de avisar sobre este corte, sendo o dia 24 de janeiro apenas uma previsão para o pagamento”, afirmou Adailton Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac). 



O sindicalista destacou que os trabalhadores estão desesperados e sem ter como fechar os pagamentos das contas do mês de dezembro: “Muitos tem cartão de crédito vencido, parcelas de financiamentos e mesmo despesas de manutenção da casa já em atraso”.

Dias cinco vamos reavaliar o movimento e vamos fazer uma manifestação defronte ao Huerb, onde vamos também pedir apoio, esmola, sacolão e tudo o mais para mostrar a situação caótica vivida pelos pais de família”.

Servidores em desespero



Por conta do atraso no pagamento dos salários, muitos servidores disseram em alto e bom som não terem como pagar as contas básicas, como água, energia e até mesmo as despesas de transporte para poderem ir até o local de trabalho.

Alguns servidores já avisaram que só vão trabalhar enquanto tiverem dinheiro para pagar transporte e depois vão parar.  

"O Tião Viana está acabando com os trabalhadores da saúde do Estado. É um péssimo administrador. Temos de fazer algo para chamar a atenção contra isso e dar a resposta aos desmandos dele nas urnas”, disse um servidor.