Sob pressão dos sindicatos e população, governo atende ao MP e recua na terceirização de hospitais

Publicado em 07 de fevereiro de 2018 às 09:40

Sofrendo pressão por todos os lados, de entidades sindicais, servidores, e população em geral, o governo do Estado deu o primeiro recuo na terceirização da rede de pronto atendimento hospitalar da capital e atendeu a um pedido do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), suspendendo o processo de escolha da empresa encarregada de gerir os sistema.

No começo da noite desta terça-feira (6) o governo do Estado emitiu uma nota onde oficialmente atende à solicitação feita pelo MPAC para suspender o processo de terceirização, cujo primeiro passo efetivo deveria ocorrer já no dia 15 com a entrega das propostas das Organizações Sociais (OS) interessadas nos R$ 960 milhões do contrato.

O fato foi comemorado pelas instituições que compõem a Frente Sindical de Combate à Terceirização, a qual conta com a maioria das entidades representantes dos servidores e profissionais ligados à saúde no Estado.

Sintesac mantém a luta

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Acre (Sintesac), Adailton Cruz, disse ter confiança na reversão do processo e na manutenção e melhoria dos serviços.

“Com a união de todos inclusive do MPAC, onde mais uma vez estivemos nesta terça-feira [6], estamos muito otimistas. Houve um grande número de impugnações administrativas ao Edital impetrado por parte dos sindicatos e do Conselho Estadual de Saúde mostrando a insatisfação de todos”, ressaltou Adailton.

Ação Civil Pública

O sindicalista destacou ainda ser uma certeza o ingresso de uma ação judicial em conjunto com o MPAC e contra a terceirização atropelada, equivocada e ilegal que o governo do Estado insiste em fazer.

“Tínhamos programado uma paralisação geral para o dia 15, com uma manifestação na Secretaria de Saúde do Estado do Acre [Sesacre] contra a terceirização, não pagamento dos extras, retirada de direitos, como a sexta parte, a progressão salarial, a complexidade do inativos e outros. Mas agora deveremos adiar o movimento e traçar novas estratégias junto aos servidores e população. Não vamos desistir”, complementou Adailton.

Administração desastrosa

Adailton destacou não ser admissível “a entrega do patrimônio do povo a terceiros e financiá-los para nos explorar, demitir, redefinir os setores e unidades do Estado, reduzindo ainda mais a quantidade de servidores, acabar com os concursos públicos, e tudo isso sem controle sobre os gastos dos recursos federais entregues a essa OS”. 

Se houver essa terceirização, será o maior retrocesso na saúde acreana, como se já não bastasse todos os atropelos sofridos nos últimos oito anos dessa administração desastrosa no governo do Estado e na Sesacre, finalizou Adailton.